História

Março/1992 – Participação de alguns profissionais no XII Curso de Malformações Congênitas Lábiopalatais em Baurú/SP

Abril/1992 – Atendimento da equipe no consultório Dr. Wilson Dewes

Outubro/1993 – Equipe em dia de atendimento

A primeira reunião para a criação da FUNDEF ocorreu em 11 de julho de 1991. Dr. Wilson Dewes e um grupo de profissionais da área da saúde se uniram para instalar em Lajeado um centro especializado na reabilitação de pacientes com deformidades crânio faciais em especial fissuras lábio palatais, com base no protocolo de atendimento do Centrinho de Baurú/SP e de treinamentos da equipe neste serviço de referência do Brasil. Na época, não existia nenhuma instituição focada no Rio Grande do Sul em reabilitar estes pacientes.

O atendimento começou em 1992 no consultório particular do Dr. Wilson Dewes. Observando a demanda crescente o médico buscou a diretoria do Hospital Bruno Born para a criação de setor especializado na reabilitação destes pacientes dentro da instituição, com o objetivo de realizar os procedimentos cirúrgicos e ambulatoriais. Motivados pela iniciativa do Dr. Dewes, a Diretoria do Hospital Bruno Born institui a Fundação Para Reabilitação Das Deformidades Crânio Faciais – FUNDEF. Em 1993 foi aprovado e registrado o Estatuto da Fundação pela Procuradoria Geral da Justiça.

De acordo com a especificidade de cada tipo de fissura, a equipe elaborou um plano de tratamento. Inicialmente, o atendimento era feito apenas uma vez por semana com uma equipe bem reduzida de profissionais voluntários. A estrutura física e a contratação de equipe cresceram na mesma proporção que as necessidades dos pacientes. Desde 1999 são realizados atendimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), através do credenciamento do Hospital Bruno Born.

Em 2009, a FUNDEF obteve a habilitação no Ministério da Saúde para prestar os atendimentos aos pacientes com deficiência auditiva na média complexidade, trabalho este que já vinha sendo realizando desde 2007, através da habilitação do Hospital Bruno Born. Para poder ampliar o atendimento na área da deficiência auditiva foi preciso locar um espaço nas proximidades do Hospital Bruno Born no início de 2010.

Nestes mais de vinte anos de atuação a entidade se mantém em constante crescimento. O que iniciou com uma pequena equipe de profissionais voluntários, hoje conta com mais de 60 profissionais, contratados e voluntários, atuando de forma interdisciplinar com foco na reabilitação dos pacientes, buscando aprimorar a cada ano os atendimentos prestados. Sendo composta por cirurgiões, assistente social, psicóloga, nutricionista, fonoaudiólogas, pediatra, enfermeira, fisioterapeuta, otorrinolaringologista, traumatologista, pedagoga, dentistas, equipe administrativa e de apoio.

Visão

Ser referência nacional no tratamento de fissuras lábio palatinas e referência estadual no serviço de saúde auditiva.

Misão

Proporcionar aos pacientes a integração ao ambiente psicossocial, através de tratamento interdisciplinar centralizado, com profissionais qualificados, parcerias científicas, públicas, empresariais e comunitárias.

Valores e Princípios

Comprometimento – aderimos a FUNDEF de forma incondicional e continuada.

Tratamento Interdisciplinar – trabalhamos em conjunto, somando conhecimentos, com visão integral do paciente.

Qualidade do serviço – buscamos a aplicação de conhecimentos técnicos atualizados, focalizando a excelência no desenvolvimento das atividades.

Persistência – somos constantes na realização dos objetivos da instituição.

Parceria – estabelecemos parcerias necessárias e duradouras para viabilizar a manutenção e o crescimento da FundeF.

Pessoas que fizeram e fazem a história da FUNDEF

Wilson Dewes,

idealizador da FUNDEF

"Eu vim para Lajeado em 1968 e fui o primeiro médico a me dedicar a cirurgia plástica na cidade. Eu comecei a me preocupar com a face das pessoas, e por conta, iniciei os estudos sobre fissurados. Eu logo vi que não poderia fazer isso sozinho, por isso, convidei um grupo de especialistas: um psicólogo, uma fonoaudióloga, um dentista e um pediatra. Eles se encantaram com a ideia de devolver sorrisos, atendendo os pacientes de forma voluntária, doando um pouco do seu tempo.

Começamos a atender os pacientes no meu consultório. O interessante é que essas crianças atendidas iam trazendo cada vez mais pacientes. Toda região era atendida em Lajeado. Até que eu senti a necessidade de colocar uma ordem nos atendimentos. Mas precisava de um espaço maior. A oportunidade surgiu quando eu fui diretor clínico do hospital Bruno Born. A instituição de saúde cedeu um local no prédio para atender os pacientes, todos os gastos eram mantidos pelo Bruno Born. Chegamos a conclusão que seria legalmente melhor instituir uma fundação, o hospital foi o instituidor.

Em 2007 aceitamos mais um desafio, atender a uma nova especialidade, desde lá a FUNDEF é responsável pela reabilitação auditiva de uma parcela da população do Estado.

Passados mais de 20 anos da instituição, a FUNDEF tem projeção em todo Brasil. Espontaneamente entidades nos procuraram para nos ajudar, como é o caso da Smile Train. Somos convidados para participar de missões internacionais, por exemplo, operar pacientes na China, e para falar do nosso trabalho em vários países.

Quando as pessoas me perguntam o que é a A FUNDEF? É um milagre. É uma entidade que traz uma alegria extrema, porque possibilita que uma pessoa consiga sorrir, ouvir e se integrar na sociedade. Sem o esforço de todos que atuaram e atuam na FUNDEF esse "milagre" não seria possível."

Ivete Mallmann,

ex-presidente da FUNDEF

"O simples convite de uma amiga para conhecer a rotina da FUNDEF se transformou em anos de dedicação. Uma história que começou em 1993. Cheguei aqui e descobri uma equipe de vida, eram voluntários que estavam começando. Na época só tinha uma funcionária remunerada, não existia ponto e folha de pagamento. A equipe conhecia todos pacientes, afinal, o número era bem reduzido.

A primeira coisa que o médico Wilson Dewes fez foi me mostrar o que era uma fissura no lábio e no palato. Foi necessário acompanhar uma consulta, porque segundo o médico, ver por fora é uma coisa, agora ter a chance de olhar de perto, sob a ótica de um profissional, é bem diferente.

O trabalho desenvolvido aqui era e sempre foi multidisciplinar. Me apaixonei por isso, todo mundo queria dar o melhor da sua área para recuperar o paciente. Tinha o espaço que eu pude ocupar, já que havia a necessidade de alguém para coordenar tudo.

O Wilson Dewes depositou confiança em mim, porque, a gente já tinha uma laço de amizade e eu conhecia alguns profissionais. Para mim, trabalhar aqui como voluntária foi um desafio incrível, essa é a lição que fica para sempre. O Dewes não podia olhar na boca de um fissurado que tinha que ajudar.

Quando eu iniciei aqui tinha acabado de me aposentar e estava viúva. Eu vinha pra cá todo dia, de manhã, sempre como um trabalho voluntário. Eu revisava a agenda, cuidava do atendimento, do trabalho administrativo, participava de reuniões, não fazia nada sozinha, era tudo em equipe.

Eu acompanhava a reabilitação muito de perto. Lembro do primeiro paciente, que hoje está estudando para ser padre, a pouco tempo me fizeram um visita.Nunca houve dúvida do trabalho que eu tinha que fazer aqui.

Eu fico feliz com o projeto da construção do centro clínico, em pensar que tudo começou com alguns pacientes. Lembro que assustou quando começamos a atender pacientes de todo estado. Veio tudo para cá. Foi na minha época que passaram a atender pelo SUS. O período marcou outra mudança, começamos a remunerar os profissionais. "

Lucildo Drebes,

primeiro pediatra da FUNDEF

"Eu recebi o convite do Dr. Wilson Dewes para começar a trabalhar na FUNDEF, gostei da proposta e resolvi aceita-lá. O esquema de trabalho me agradou muito, porque era tudo novidade, onde se reunia uma equipe para o paciente ser entrevistado, tratado, em vez, do paciente procurar vários especialistas. Isso chamou a minha atenção. Eu também já conhecia quem estava trabalhando no local.

Eu fui um dos últimos a entrar na época. Depois com o tempo de trabalho, o contato com o paciente, eu fui adquirindo uma experiência que para mim foi única. A FUNDEF me mostrou que a pessoa, o ser humano, precisa de algum subsídio para entender o que é realmente importante na vida.

Toda pessoa precisa ter fé, e a Fundação preencheu isso em mim. É necessário ter esperança, porque a esperança traduz a força de vontade. Não dá para esquecer do amor. A pessoa precisa aprender a amar outras pessoas e amar a vida. Mas o que quer dizer isso? Deve saber se colocar ao lado da pessoa que precisa de ajuda e caminhar com ela.

A FUNDEF me ensinou uma coisa que falamos muito por aqui, é que somos produtores de sorrisos. Isso é uma verdade, concreta, pra quem trabalha, pra quem está aqui. Esse sorriso vem fácil. Mas eu tenho uma lembrança de uma menina adolescente de uma família indígena. Todos os irmãos dela eram fissurados, e eles num belo dia aparecem aqui. Nem sabiam onde estavam, pois a prefeitura pegou todos na tribo e deixou aqui.

Quando vi aquela menina adolescente fiquei assustado. Uma menina bonita, parecia que tinha uma vida dentro dela que estava reprimida. Mas, ela tinha um olhar triste, de raiva. Foi aí que ela fez a primeira cirurgia. Na revisão, eu a vi sorrir. O que me me cativou foi o olhar dela, aquele olhar triste foi embora. Veio então duas "janelas" enormes de luz, ela tinha os olhos bonitos, que brilhavam, de tanto bem que fizemos para essa menina. Depois disso nunca mais a vi.

Pra mim foi um exemplo que caracteriza a FUNDEF, que mostra como é a realidade da maioria das pessoas que procuram a entidade. Durante o tratamento, a família muda, começa a pensar diferente.

Eu sempre incentivo as pessoas para que elas venham conhecer a FUNDEF. Isso vai fazer a diferença na vida de cada um. Eu tive uma verdadeira paixão de trabalhar aqui!!!"